Justiça

Ex-vereador pede reabertura de inquérito sobre tomógrafo do pronto-socorro de Birigui

Aparelho que ficou encostado por mais de 1 ano e foi substituído por outro alugado voltou a funcionar com a mudança de gestora e tem feito mais de 500 exames por mês

Agência Trio Notícias
25/03/24 às 16h25
Pedido de reabertura do inquérito foi apresentado pelo ex-vereador José Fermino Grosso (Foto: Arquivo)

O ex-vereador José Fermino Grosso, de Birigui (SP), apresentou no Ministério Público, pedido para a reabertura de inquérito que investiga possível irregularidade na substituição do tomógrafo do pronto-socorro municipal. O equipamento que havia sido conseguido por ele por meio de emenda parlamentar de R$ 500 mil, foi instalado em 2016 e havia sido desativado em maio de 2022.

Segundo a Prefeitura, a decisão foi unilateral da então gestora do PS, BHCL (Beneficência Hospitalar de Cesário Lange), sob argumento de que ele não atendia às necessidades e precisaria passar por manutenção que seria inviável financeiramente.

Entre junho de 2022 e o início de dezembro de 2023, os serviços de tomografia no pronto-socorro municipal foram realizados em um tomógrafo que na ocasião, foi alugado por R$ 35 mil mensais.

Investigação

A partir de representação do próprio ex-vereador, a Promotoria de Justiça instaurou inquérito e durante meses pediu informações à BHCL, à Prefeitura e ao próprio governo do Estado, já que o tomógrafo encostado seria para uso do Consórcio de Saúde da Microrregião de Birigui.

No pedido de reabertura do procedimento, Fermino cita que o arquivamento levou em consideração entendimento de que “a administração municipal estaria adotando providências no sentido de avaliar a conveniência e oportunidade de proceder ao reparo”.

Fato novo

O ex-parlamentar cita que seria possível retomar a investigação, caso surgissem novos elementos de prova. Ele argumenta que após ter sido encostado por ter sido considerado inoperante, o aparelho foi reinstalado pela Organização Mãos Amigas, que assumiu a gestão do pronto-socorro em 7 de dezembro.

Segundo o que foi informado ao MP, a nova gestora contratou uma empresa para fazer o orçamento e foram gastos R$ 54.846,12 para colocá-lo em funcionamento. Além disso, foi firmado contrato de manutenção no valor de R$ 2,7 mil mensais. “Ou seja, qualquer valor gasto acima das importâncias acima indicadas pelo município de Birigui com a locação de um ‘novo aparelho’ de tomografia, implica, salvo melhor juízo, um mal barateamento do dinheiro público” , cita no pedido.

Também foi informado ao Ministério Público que após ser colocado em funcionamento, em dezembro o aparelho realizou 283 exames; outros 523 em janeiro; e 526 em fevereiro. “Isso para um equipamento que, segundo informações do município de Birigui, não reunia condições de uso”, acrescenta.

Laudo

Na segunda semana deste mês a reportagem teve acesso um laudo feito por empresa especializada, atestando que o tomógrafo do pronto-socorro de Birigui estava em perfeitas condições de uso após passar por manutenção.

No dia 13 deste mês foram pedidas informações à Prefeitura e à OSS Mãos Amigas a respeito do funcionamento do aparelho, mas até esta segunda-feira não houve respostas.

Laudo atesta eficiência de tomógrafo que foi encostado em Birigui

Laudo feito por empresa especializada contratada pela gestora do pronto-socorro de Birigui apontou que o tomógrafo que havia sido desinstalado em maio de 2022, por ter sido considerado ineficiente, está em plenas condições de uso.

O laudo, elaborado pela empresa Neto Tecnologia Médica, de Londrina (PR), foi direcionado à empresa Rad Radiologia Ltda, de Birigui. Nele consta que o pedido de vistoria foi feito quando era desinstalado o equipamento anterior, que havia sido alugado.

Como o tomógrafo estava desligado e embalado, não foi possível testá-lo e de imediato foi constatada a falta de do conjunto de HDs com o sistema operacional do equipamento. Assim, em 6 de dezembro foi enviado orçamento para instalação e reinstalação do software.

Reinstalado

Ao ser instalado, foi confirmado que o software estava corrompido, houve a substituição, reinstalação do sistema e constatado que o tomógrafo estava funcionando.

Entretanto, foram diagnosticados outros problemas, com previsão de realização dos serviços entre 11 e 15 de dezembro. Em 9 de janeiro foi retirado o tubo original, que foi substituído por um provisório, mantendo assim o atendimento à população.

A peça original foi reinstalada entre 30 de janeiro e 1 de fevereiro. “... sendo realizados testes com imagens e exames comprovando a eficácia do serviço e realizados ajustes para envio e impressão de exames”, consta no laudo.

A empresa afirmou ainda que “o aparelho encontra-se em perfeitas condições de uso, totalmente ajustado de acordo com as exigências do fabricante, sem qualquer falha ou vício e totalmente apto à realização dos exames a que se destina”.

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