Justiça

Justiça absolve 16 em ação de improbidade no gerenciamento do AME

Empresa e o ex-coordenador médico do ambulatório de Araçatuba foram condenados ao pagamento de multa

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
18/05/19 às 18h36
Imagem: Ilustração

A Vara da Fazenda Pública de Araçatuba (SP) julgou parcialmente improcedente ação civil pública proposta pelo Ministério Público em 2013, contra a OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Araçatuba, por suposta má administração de verbas repassadas ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades).

O caso correu em segredo de justiça, mas, de acordo com a assessoria de imprensa da Santa Casa, foi considerado que 16 dos denunciados na ação não cometeram crimes.

Entretanto, o ex-coordenador médico do AME Araçatuba, Ademar Hehnes Gardini Filho, a empresa Gardini Serviços Médicos Ltda, foram condenados ao pagamento de multa. A Justiça entendeu que ele contratou a própria empresa para prestação de serviços ao ambulatório.

Gardini Filho e a empresa tiveram os direitos políticos suspensos e foram proibidos de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, por três anos. Eles podem recorrer.

Denúncia

O MP apontou que houve má administração das verbas repassadas pela OSS ao AME, que havia irregularidades na forma como os contratos eram firmados com alguns profissionais de saúde e que médicos e outros profissionais de saúde estariam recebendo por consultas e exames não realizados.

A sentença é do juiz José Daniel Dinis Gonçalves, que de acordo com a assessoria de imprensa da Santa Casa, entendeu que não houve nepotismo nas contratações de empresas e profissionais de saúde ligados por parentesco com diretores da OSS Santa Casa de Araçatuba/AME ou dirigentes da unidade.

Sobre a denúncia de que profissionais receberiam por consultas e atendimentos não realizados, o magistrado reconheceu que a OSS mantinha contrato padrão, com cláusulas iguais e iguais valores de remuneração para todos os médicos e empresas contratadas e que os médicos não recebiam sem realizar os serviços.

Ainda segundo o hospital, a forma de contratação pelo ambulatório AME seguia o formato de contratação de serviços médicos que a Secretaria de Estado da Saúde mantinha no sistema.

O critério utilizado era o de disponibilidade de agendamento, ou seja, os médicos estabeleciam suas cargas horárias de atendimento.

Eles permaneciam integralmente à disposição da unidade durante o tempo contrato e atendiam os pacientes agendados que compareciam para as consultas. No entanto, muitos pacientes agendavam as consultas e não compareciam.

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Contratos

A denúncia também apontava que a Santa Casa, por intermédio do AME, teria celebrado contratos com ela própria, por meio do laboratório de análises clínicas e dos serviços de lavanderia, sem pesquisa de preços. Nesses casos, a Justiça também entendeu que não houve ilegalidade.

“A ausência de licitação decorreu da inexistência no município de empresa capacitada e a fiscalização é feita por órgão do Estado. Não há identidade no paradigma apresentado pelo Ministério Público quanto ao custo do serviço de lavanderia, que ficou abaixo ao previsto pela administração e ao cobrado no mercado”, consta na sentença.

Com relação à contratação do laboratório de análises do hospital, o juiz entendeu que ficou comprado que os laboratórios pesquisados não atendem SUS (Sistema Único de Saúde), o que de certa forma justificaria a não chamada para contratação.

Escritório

Sobre a contratação do escritório de advocacia Ricardo Alexandre Suart Sociedade e Advogados e Outros, que para o MP teria ”vício, em razão de parentesco e sem pesquisa de preços”, foi considerada que ela se deu pela ausência de outros interessados.

A denúncia também alegou ingerência na contratação da Clínica de Anestesiologia Birigui S/S Ltda, por parte Cleudson Garcia Montalli, que era um dos sócios da empresa e diretor técnico do DRS-II (Departamento Regional de Saúde) na época.

Nesse caso, consta na decisão que a clínica foi contratada pela OSS Santa Casa de Araçatuba/AME por outro sócio. “Não foi Cleudson quem a contratou, mas terceira pessoa, a OSS Santa Casa, sobre a qual não detinha qualquer poder de mando ou representação”, cita o juiz.

Regular

Ainda segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, a Justiça entendeu que a denúncia não comprovou as acusações nem a intenção de causar prejuízo aos cofres públicos e que os réus não se aproveitaram dos “poderes ou facilidade deles decorrentes em proveito pessoal ou de outrem ou com o intuito de prejudicar o ente estatal deliberadamente”.

Além de julgar improcedente a ação contra 16 dos denunciados, a Justiça julgou extinto o processo no caso deles. Assim, caso não haja recurso, a sentença transitará em julgado, não podendo ser novamente apreciada pelo Judiciário.

Os beneficiados com a decisão são ex-presidente da Santa Casa, Jaime Monçalvarga; o ex-diretor do AME de Araçatuba, Juvêncio Dias Gomes; e o ex-diretor do DRS-II, Cleudson Garcia Montali.

A decisão se estende a 13 prestadores de serviços do AME Araçatuba: Tarcisio Vezzi Almodova, Ana Helena Portolani Gomes Almodova, Silmara Alice Monsalvarga, Aniela Tresoldi, Ana Paula Hehnes Guedes do Amaral Gardini Montali, Leonardo Alves Batista, Alessandra Regina Ito Cabral Monsalvarga, Ricardo Alexandre Suart, Clínica de Reabilitação Funcional S/C Ltda, Amodova e Batista Serviços Médicos Ltda, Batista e Almodova Prestação de Serviços Médicos Ltda, Clínica de Anestesiologia Birigui S/A Ltda, MGA Serviços Médicos Ltda e Ricardo Alexandre Suart Sociedade de Advogados.

Contas aprovadas

Além da investigação pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, o contrato de gestão do AME pela OSS Santa Casa de Araçatuba também foi avaliado pelo TCE-SP (Tribunal de Contas de São Paulo).

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, em sessão realizada em 5 de fevereiro, o tribunal julgou regular a prestação de contas referente a 2012 apresentada pela OSS. As contas daquele ano totalizaram R$ 14.503.033,76.

A OSS Santa Casa de Araçatuba renunciou ao contrato com a Secretaria de Estado da Saúde em novembro de 2013.

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