Opinião

A nova moda agora é fingir que ama e estourar o cartão de crédito do parceiro(a)

"Na tentativa de reparar os danos, vem sendo reconhecido pelo judiciário o chamado estelionato sentimental, quando o agente usa da simulação de afeto para manipular a vítima e obter vantagens financeiras"

Gabriela Reis*
22/01/22 às 12h00

Dentre nossos maiores anseios, como seres humanos, a ideia de encontrar a cara-metade é uma das mais financiadas socialmente. Diante das catástrofes cotidianas, nada mais nobre do que pedir aos céus um amor capaz de anestesiar a realidade. 

Nietzsche dizia que o amor é estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas como elas não são. Talvez seja exatamente por isso que amar e ser amado é cada vez uma necessidade mais urgente. Estar apaixonado é ver o mundo colorido, é esquecer os tons de cinza do céu de São Paulo. No entanto, Freud também dizia que “estar apaixonado é estar mais próximo da insanidade que da razão”. Confesso que tenho ouvido histórias suficientes para concordar com ele. 

Atendi uma moça, recentemente, que foi vítima de estelionato sentimental. Acreditando nutrir uma relação de confiança e afeto, emprestou dinheiro, emprestou cartões e claro, teve muito prejuízo financeiro, pois adivinha, quando já não tinha mais nada para “emprestar”, o homem simplesmente evaporou, sumiu. E sabe o pior? Ela descobriu que se relacionou meses com uma pessoa que mentiu até o próprio nome. Completamente enganada e coberta de dívidas, não era só um coração partido que essa moça carregava. Além de raiva, havia muita vergonha e culpa. 

É curioso como, com tantos motivos para praticar autocompaixão, a primeira coisa que fazemos é nos ferir ainda mais, nos responsabilizando pela atitude do outro, esquecendo que não temos culpa pelas pessoas serem como elas são. Errado é confiar ou trair a confiança? Errado é manipular ou ser manipulada?

Estar mais próximo da insanidade pode ser entendido e evidenciado com as decisões que tomamos enquanto apaixonados e as escolhas que fazemos. A paixão é uma lente que distorce a realidade, o desejo de querer preencher o outro pode ser muito prejudicial para quem se relaciona com uma pessoa vazia.

Na tentativa de reparar os danos, vem sendo reconhecido pelo judiciário o chamado estelionato sentimental, quando o agente usa da simulação de afeto para manipular a vítima e obter vantagens financeiras. Recentemente, a Justiça do Distrito Federal condenou o réu a indenizar a vítima a título de danos morais, e ressarcir a quantia de pouco mais de R$ 20.000,00.

Infelizmente, as pessoas podem ser muito cruéis e alimentar um pouco de desconfiança torna-se uma questão de sobrevivência.

(Foto: Ariel Tocchio/Divulgação)

*Gabriela Reis é advogada em Araçatuba (SP) e pós-graduanda pela Escola Brasileira de Direito, ativista pelos direitos das mulheres .

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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