(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que pretende deixar o cargo, em meio à crise provocada pela intervenção do Ueno Bank e ao avanço de um processo de impeachment contra ele. Apesar do anúncio, a renúncia ainda não foi efetivada: o Congresso não conseguiu reunir quórum para concluir a votação do pedido.
Em pronunciamento gravado, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
A Câmara dos Deputados, por sua vez, aprovou o avanço do processo de impeachment. Com isso, o caso segue para análise do Senado, onde o presidente deverá apresentar sua defesa.
Caso a renúncia seja aceita e a vacância do cargo seja oficializada, o vice-presidente Pedro Alliana poderá assumir a Presidência.
Crise do Ueno Bank está no centro da turbulência
A crise política está relacionada à situação do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do Paraguai, que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes.
O Banco Central do Paraguai determinou o início do processo de resolução da instituição após identificar problemas de solvência. A situação foi revelada durante procedimentos de fiscalização e ajustes nos balanços financeiros do banco.
A intervenção deixou clientes sem acesso imediato a contas e recursos, incluindo valores utilizados para pagamentos e recebimento de salários. O caso também levantou questionamentos sobre a relação da instituição com integrantes do governo e o recebimento de recursos públicos.
Fundo de garantia pode ser pressionado
A crise também representa um desafio para o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Paraguai. Conforme os balanços oficiais de setembro de 2026, os depósitos garantidos do Ueno Bank somavam 5,08 trilhões de guaranis, o equivalente a aproximadamente 53% dos 9,54 trilhões de guaranis administrados pelo fundo naquele mês.
Esse percentual considera a hipótese de pagamento integral dos valores protegidos, mas não representa necessariamente o custo final da operação. Parte dos recursos poderá ser recuperada durante o processo de resolução bancária e transferida para outra instituição financeira.
Os pagamentos aos correntistas começaram nesta quinta-feira (5), em etapas. A primeira fase contempla clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, desde que não tenham dívidas com o Ueno Bank e possuam contas em outras instituições financeiras do país.
A crise bancária, portanto, passou a ter consequências que vão além do sistema financeiro, atingindo diretamente a estabilidade política do Paraguai.