Ciência e Tecnologia

Humanos artificiais

"Segundo especialistas, uma celebridade de Hollywood por exemplo, poderia licenciar seu avatar para que ele pudesse gravar suas propagandas para diversos tipos de produtos ao redor do mundo"

Cássio Betine*
01/05/22 às 12h00
(Foto: Pixabay)

Você já deve ter ouvido falar em Deepfake, mas caso não se lembre é uma técnica de síntese de imagens e sons humanos usada para combinar uma fala qualquer a um vídeo já existente. Um caso emblemático ocorreu nessa guerra híbrida atual quando um vídeo do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky foi divulgado amplamente entre suas tropas pedindo a seus soldados que abandonassem seus postos e voltassem pra casa. Era mentira.

Agora, algumas startups globais estão desenvolvendo sistemas de vídeo que geram versões sintéticas de pessoas que podem ser programados para dizer qualquer coisa, e estão num estágio tão avançado que podem parecer idênticas ou até melhor que a pessoa real.

E como vivemos num mundo cada vez mais virtual, personagens de pessoas reais baseados em vídeo poderão ser utilizados comercialmente e, provavelmente, isso será um recurso muito utilizado no mercado.

Segundo especialistas, uma celebridade de Hollywood por exemplo, poderia licenciar seu avatar para que ele pudesse gravar suas propagandas para diversos tipos de produtos ao redor do mundo ou atender seus fãs também espalhados pelo globo em uma escala impossível de ser feita presencialmente. Mas essa tecnologia faria isso por ela. 

Tudo isso por meio da construção visual sintética altamente realista, reprodução de voz fiel a original e uma inteligência artificial que usaria os atributos e características da pessoa real para produzir os vídeos.

Hour One, Galaxy Interactive, Remagine Ventures, Kindred Ventures, Semble Ventures, Cerca Partners, Digital-Horizon e Eynat Guez são algumas dessas empresas de ponta que já receberam aporte de centenas de milhões de dólares para viabilizar esses sistemas.

Uma delas, a Hour One, criou a Reals, uma plataforma de autoatendimento que proporciona às empresas criarem gêmeos virtuais em vídeo em questão de minutos, permitindo que seus atendentes ampliem sua capacidade de atendimento exponencialmente.

O fundador da Hour One, Oren Aharon, disse em um comunicado: “Muito em breve, qualquer pessoa poderá ter um gêmeo virtual para uso profissional que poderá fornecer conteúdo em seu nome, falar em qualquer idioma e dimensionar sua produtividade de maneiras anteriormente inimagináveis.”

A visão desses caras que atuam com essa tecnologia é de que esse recurso possa ser incorporado em qualquer produto de software ou permitir que ele seja acionado em tempo real via internet por qualquer empresa, para assim, potencializarem suas atividades.

Estudos já estão sendo desenvolvidos nas áreas de EAD, comércio eletrônico, propaganda e publicidade e até na área de recursos humanos.

Ainda, segundo essas empresas, é bem possível que cheguemos a um momento em que será muito difícil distinguirmos uma pessoa real de seu avatar assistindo um simples filme por exemplo.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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