Justiça

Amiga de acusada de fazer apologia ao tráfico é presa

Acusadas de serem “olheiras” do tráfico no bairro São José, elas haviam sido presas em flagrante em abril, mas conseguiram a liberdade provisória; uma já havia voltado para a cadeia por gravar vídeo fazendo apologia ao crime e a outra teve a prisão decretada agora por não ter sido encontrada no endereço informado à Justiça 

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
24/07/21 às 17h48

A Polícia Militar de Araçatuba (SP) prendeu na noite de sexta-feira (23), Kerolyn Cristine Ferreira Sales, 24 anos, moradora no bairro São José, acusada de ser “olheira” do tráfico de drogas no bairro. Ela havia sido presa em flagrante em abril deste ano, conseguiu a liberdade provisória durante a audiência de custódia, mas agora foi presa preventivamente.

Na ocasião também foi presa Thayla Gabrielly Moraes, 19, pelo mesmo crime. Dias após ganhar a liberdade ela voltou para a cadeia por ter gravado um vídeo fazendo apologia ao tráfico de drogas.

As duas haviam sido presas em flagrante no dia 9 de abril, após policiais militares abordarem o pedreiro Marcos Rogério Quintana de Farias, 53, na frente do imóvel na rua Marcelino Stopa. Ele, que estava com duas porções de maconha nas mãos e tinha mais cinco no bolso, junto com R$ 90,00 em dinheiro, estava acompanhado de outro homem que teria confirmado que estava no local para comprar droga.

Segundo a polícia, o pedreiro também teria confessado o crime e na casa dele havia mais entorpecente e um caderno com anotações do tráfico. Foram feitas buscas com ajuda de cães em um terreno baldio próximo à casa dele e apreendidas porções de crack e mil tubos plásticos vazios usados para fracionar entorpecente.

Olheiras

Os policiais tinham conhecimento de que as jovens trabalhariam como “olheiras” de traficantes do bairro e as abordaram quando saíam do bairro seguindo para a delegacia.

Thayla estava com R$ 280,00 em dinheiro e as duas teriam confessado que receberiam R$ 100,00 por dia para ficar das 10h às 22h naquele ponto, informando sobre a presença de viaturas.

Também foi relatado no boletim de ocorrência que ambas confirmaram as informações ao serem ouvidas na presença de advogados, assim como o pedreiro também confessou o crime. O delegado plantonista manteve as prisões em flagrante.

No dia seguinte a Justiça acatou manifestação do Ministério Público e concedeu a liberdade provisória às investigadas, por considerar que elas atuavam como olheiras e não diretamente no comércio de drogas. O pedreiro permaneceu preso.

Live

Seis dias depois da prisão, a Promotoria de Justiça tomou conhecimento de que Thayla fez uma live difamando os policiais militares que a haviam prendido. No vídeo, ela confirmou que trabalhava como olheira para traficantes do bairro.

“Gente, pra falar a verdade, está todo mundo falando que eu sou traficante. Eu não sou traficante. Eu sou campana. E todo mundo sabe que eu sou campana. Todo mundo sabe, não sou traficante. Pelo menos eu não ‘exturco’ (verbo extorquir) ninguém. Estava só atrapalhando o serviço dos caras (policiais), igual eles falaram pra minha família aqui. Sim, porque vocês são uns bostas, que não faz (um palavrão) pra ninguém. Pelo menos os bandidos fazem, pelo menos os bandidos traficantes ajudam a gente né. Agora para você trabalhar honesto não dá, porque não tem uma vaga de serviço, não tem (outro palavrão) que dá pra você trabalhar. Aí você vai presa e fica todo mundo falando bosta” , finaliza o vídeo.  

Presa

O Ministério Público considerou que a investigada estava em liberdade provisória e cometeu crimes ao fazer apologia ao tráfico de drogas e se manifestar contra os policiais militares. Houve a representação pela decretação da prisão preventiva, o pedido foi aceito e ela voltou para a cadeia no dia 16 de abril.

Segundo o que foi apurado pela reportagem, a Justiça já acatou a denúncia contra os três réus, sendo que as duas jovens foram denunciadas pelo Ministério Público como participes do tráfico de drogas. Thayla responde a outro processo pela apologia ao crime.

Kerolyn permanecia respondendo em liberdade, mas não foi encontrada no endereço informado à Justiça quando procurada, no bairro Ezequiel Barbosa. A Justiça entendeu que ela desrespeitou as medidas da liberdade provisória e o mandado de prisão foi expedido pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Emerson Sumariva Júnior, em 13 de julho.

A acusada foi encontrada por volta das 22h30 de ontem em uma igreja na rua Fundador Paulino Gato, levada para a delegacia e ficou à disposição da Justiça.

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