Os dados estatísticos de feminicídio são inaceitáveis, pois trata-se de um crime de gênero. Mulheres são mortas pelo simples fato de serem mulheres. A sociedade, como um todo, precisa entender que quando falamos de violência contra a mulher, estamos nos referindo a um problema social, pois a maioria dos casos ocorre no âmbito familiar e a violência é o início de um infortúnio estrutural de um país.
A sua experiência com casos de agressões contra mulheres mostra que o ciúme ainda é o principal responsável por esses crimes? Muitos homens ainda têm essa relação de posse, apesar de as mulheres hoje serem mais independentes deles?
Acredito que a violência contra a mulher é enraizada na cultura machista de nossa sociedade. É aquele poder de domínio, de superioridade que a classe masculina se estruturou no meio social. Ou seja, é um problema que surgiu na própria criação da humanidade, pois os homens sempre tiveram mais poderes de comando, de direção, de governo, de criação e consequentemente, mais posses de direitos.
Entretanto, a partir de muitas lutas, revoluções e gritos de socorro, a mulher foi criando seus próprios direitos. E o Estado, na função de manter um bem social, de certo modo, teve que criar ferramentas para concretizar essa igualdade feminina.
O Dia Internacional da Mulher, por exemplo, comemorado em 8 de março, surgiu em decorrência de um incêndio em 25 de março de 1911, na Companhia de Blusas Triangle, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (a maioria judeus).
A lei Maria da Penha foi criada após o Brasil ser condenado internacionalmente pela tolerância e omissão com que eram tratados os casos de violência contra a mulher. E, por fim, a alteração legislativa mais recente, que é o instituto do feminicídio, se deve ao fato de que 13 mulheres são mortas diariamente em nosso país.
