Justiça

Cobrança por multa de trânsito teria motivado morte de mestre de capoeira

Acusados do crime cometido em maio de 2019 serão julgados pelo Tribunal do Júri na quarta-feira

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
01/03/21 às 19h24
Crime aconteceu em maio de 2019 e réus aguardam julgamento presos (Foto: Arquivo/Reprodução)

Na próxima quarta-feira (3), o Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reunirá para o julgamento do forneiro Donavan Douglas dos Santos Oliveira, 27 anos, e do amigo dele, Felipe Lima de Sá, 24, pelo assassinado do mestre de capoeira Everaldo Aparecido Cardoso Martins, 45.

A vítima foi morta a tiros na frente da casa dela, no bairro Lago Azul, na manhã de 13 de maio de 2019. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime teria sido motivado pela cobrança do pagamento de uma multa de trânsito.

Naquele dia, testemunhas disseram à polícia que o autor dos disparos estava em um VW Gol branco, carro que o capoeirista teria repassado a Donavam como parte do pagamento pela casa que estava residindo.

Consta na denúncia após a transação, Donavan teria atrasado a quitação de uma conta de água e Everaldo não quis entregar o recibo de compra e venda do veículo, que estava registrado em nome de terceiro.

Além disso, durante o período em que esteve com o carro, Donavan teria recebido uma multa de trânsito. Por estar sendo cobrado do pagamento da multa, o réu teria conversado com o amigo e decidido matar o mestre de capoeira.

Premeditado

Segundo o Ministério Público, naquela manhã Donavan informou à vítima que iria na casa dela pagar parte da dívida foi ao à residência conduzindo o Gol, trazendo Felipe como passageiro.

Os dois desceram do veículo e Donavan teria chamado Everaldo pelo nome. Quando ele saiu para atender, Felipe, que estava armado com um revólver, teria atirado duas vezes. Ainda de acordo com a denúncia, em seguida Donavan teria pego a arma atirado mais duas vezes contra a vítima e os dois fugiram em seguida.

Socorro

Na ocasião, a filha do mestre de capoeira, de 17 anos, acordou com o barulho dos disparos, viu o portão aberto e ao sair para a rua encontrou o pai caído. Equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionada e constatou o óbito no local.

Laudo do exame necroscópico apontou que a vítima levou quatro tiros, um no braço esquerdo, um na cabeça e dois no lado esquerdo do peito.

Para a Promotoria de Justiça, o crime foi cometido mediante dissimulação, com recurso que dificultou a defesa da vítima e de forma premeditada.

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Ameaçado

Ouvido em juízo, Donavan alegou que vinha sendo ameaçado pelo mestre de capoeira, que teria dito que iria tomar o carro dele. Por isso, arrumou a arma com um primo dele para se proteger.

Disse ainda que contou a Felipe o que estava acontecendo e ele teria se oferecido para acompanhá-lo até à casa da vítima para resolver a situação de forma pacífica. Alegou ainda que o corréu ficou com a arma para que ele não cometesse nenhuma bobagem.

Entretanto, na versão dele, ao sair na rua, Everaldo teria agido de forma ignorante, passado a humilhá-lo e quando o empurrou em direção ao carro, Felipe sacou a arma e atirou três vezes.

Confirmou

Felipe, que fez aula de capoeira com a vítima, confirmou a versão de Donavan e na fase policial disse que ele atirou duas vezes e Donavan deu um tiro. Já em depoimento em juízo, ele mudou a versão e disse que o amigo não atirou na vítima.

Ele alegou que ao ver o mestre de capoeira empurrando o amigo contra o carro, pediu que parasse e sacou a arma para assustá-lo. Como Everaldo teria ido na direção dele, deu o primeiro tiro.

De acordo com o corréu, mesmo baleada, a vítima teria avançado contra ele, por isso disparou outras duas vezes e os dois fugiram em seguida.

Julgamento

Os dois réus estão presos no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Caiuá e participarão do julgamento por videoconferência. A sessão está prevista para começar às 13h.

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