Justiça

Júri condena acusado de matar filho de jardineiro a tiros

Jovem foi morto quando saía de casa com a família, dentro do carro; réu ainda será julgado por participar do assassinato do pai do jovem

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
26/11/20 às 10h52
Michael foi morto a tiros quando saía com a família de carro, para ir ao supermercado (Foto: Reprodução)

O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) condenou a 9 anos de prisão, Pedro Henrique Carvalho, 28 anos, pelo assassinato de Michael Jonathan Bernardo da Silva, 24.

O crime ocorreu em 24 de outubro de 2016, quando a vítima saía da garagem de casa com o carro para ir ao supermercado, trazendo a família dentro do veículo.

O julgamento foi o primeiro pelo Júri em Araçatuba, após a suspensão provocada pela pandemia. Os jurados acataram a íntegra da denúncia e o réu não terá o direito de recorrer em liberdade.

A vítima era filho do jardineiro Sidnei Rodrigues da Silva, que foi executado aos 43 anos, da mesma forma, seis meses antes. Carvalho responde a processo por participar desse homicídio e voltará ao Tribunal do Júri nos próximos meses.

Ele já foi condenado a 10 anos e meio de prisão por tentar matar um policial militar, ao desrespeitar ordem de parada durante blitz ocorrida na avenida Abraão Buchala, em 2015.

Apesar de ter sido denunciado por homicídio qualificado por ter dificultado a defesa da vítima, no caso da morte de Michael, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) afastou a qualificadora, por isso, ele foi julgado por homicídio simples.

Crime

Naquela noite, Michael saía com a família de carro quando foi surpreendido por dois homens em uma moto, que pararam ao lado do veículo dele. O garupa desceu, disparou várias vezes e fugiu em seguida com o comparsa.

Mesmo ferido, o jovem saiu do carro, correu para casa dele e caiu próximo à porta da sala. Ele chegou a ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas morreu antes de chegar ao hospital. Durante a perícia no local do crime foram apreendidas 11 cápsulas de pistola calibre 9 milímetros.

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Sentença

O Júri aconteceu com a presença dos jurados em plenário, mas o réu participou virtualmente, à distância. Ao proferir a sentença, o juiz Danilo Brait levou em consideração o desejo de matar, devido à quantidade de disparos feitos contra a vítima.

“Inicialmente, o réu se aproximou do veículo em que estava o ofendido e lhe desferiu três tiros, sendo que após afastar-se e cessar a injusta agressão, voltou a se aproximar do veículo e efetuou mais disparos em direção à vítima, atingindo-a mais quatro vezes, o que demonstra o dolo intenso e o maior grau de censura e sofrimento imposto ao ofendido a ensejar resposta penal superior”, consta na sentença.

Também foi considerado o fato de a vítima ter sido atacada na presença da família, incluindo uma filha recém-nascida, que perdeu o direito do convívio com o pai, e causando trauma à companheira do jovem, que também presenciou o homicídio.

Devido aos antecedentes do réu, foi determinado o regime inicial fechado para início do cumprimento da pena, sem direito a recorrer em liberdade.

Pedro também foi condenado a 10 anos e meio de prisão por atropelar policial militar (Foto: Lázaro Jr./Arquivo)

Condenado

Carvalho está preso por ter sido condenado por tentativa de homicídio, em outubro de 2018, por ter atropelado um policial militar ao desrespeitar uma ordem de parada durante fiscalização na avenida Abraão Buchala.

Durante julgamento nesse caso, a defesa alegou que o réu não teve a intenção de matar, mas os jurados acataram a denúncia do Ministério Público, representado na ocasião pelo promotor Adelmo Pinho, que recorreu pedindo o aumento da pena.

Naquele caso, Carvalho havia sido denunciado por tentativa de homicídio qualificado por ter assumido o risco de matar; por utilizar meio que dificultou a defesa da vítima; por atentar contra agente ou membro da Polícia Militar no exercício da função; para assegurar a ocultação de outro crime, pois conduzia a moto com a habilitação suspensa; e em local de concentração de pessoas, resultando em perigo comum. A pena máxima prevista seria de 30 anos caso o homicídio tivesse sido consumado.

Jardineiro

Ele voltará ao Tribunal do Júri pela morte do jardineiro Sidnei Rodrigues da Silva, ocorrida em 15 de fevereiro. Pai de Michael, ele foi encontrado baleado dentro de um GM Vectra, atravessado na rua Fundador Paulino Gato, no bairro São José.

Foram encontradas pelo menos sete perfurações feitas por projéteis de arma de fogo no carro da vítima, que foi atingido no vidro lateral traseiro do lado esquerdo, no vidro lateral dianteiro esquerdo, na coluna da porta dianteira esquerda e no para-brisa.

A investigação apontou que o jardineiro foi morto por vingança, já que teria interferido quando o pai de Carvalho havia cobrado uma dívida de uma mulher conhecida dele.

Ainda segundo a investigação, Pedro teria matado Michael ao descobrir que ele pretendia se vingar da morte do pai. O carpinteiro Marcelo Cícero da Conceição Lopes, 28 anos, também denunciado por participação no assassinato de Sidnei, foi morto a tiros, em Rubiácea, em maio deste ano.

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